06/12/2017
PIB da construção brasileira deve crescer 2% em 2018 e cair 6,4% em 2017

Para atingir essa alta de 2%, o cenário base considera um PIB Brasil de 2,5%, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com o SindusCon-SP. Segundo o presidente da entidade, José Romeu Ferraz Neto ela é alimentada por vários fatores. “Se houver a redução do estoque dos móveis e os distratos (quando uma venda é concretizada e cancelada em seguida) forem regularizados, em 2018 poderão se iniciar obras resultantes dos novos lançamentos imobiliários feitos em 2017. Também poderão se iniciar as obras das unidades habitacionais contratadas em programas como Minha Casa, Minha Vida (MCMV)”, diz ele.

O presidente do sindicato, também condiciona a alta se houver uma evolução positiva no cenário político, com a inflação baixa e queda no juro real, os agentes financeiros poderão aumentar a oferta de crédito imobiliário. “No caso das obras de infraestrutura terão um ritmo maior somente se houver novas concessões e privatizações, uma vez que os governos deverão voltar a cortar recursos para investimentos. A expetitiva contempla também o aumento no número de empregos e na confiança do empresário da construção”, pontua.

A expectativa de maior atividade na construção, no próximo ano, também leva em conta a possibilidade de elevação contínua da demanda por obras, em um horizonte de estabilidade econômica, comenta o vice-presidente de Economia, Eduardo Zaidan, segundo quem, “depois de anos de quedas sucessivas, 2018 somente representará o início de uma recuperação da atividade do setor se houver a Reforma da Previdência e outras providências de redução do déficit público, a adoção de novas medidas facilitadoras do ambiente de negócios e uma sinalização clara aos investidores de que os programas dos candidatos mais fortes à Presidência da República prosseguirão nestas direções”, analisa.

As informações foram divulgadas na quinta-feira (30/11), quando o SindusCon-SP reuniu a imprensa para apresentar o balanço da construção civil em 2017 e falar sobre as perspectivas do setor para o próximo exercício.

Mais um ano de queda

De acordo com os dados apresentados pelo SindusCon-SP, o PIB da construção em 2017 deve fechar com queda de 6,4%, em uma estimativa que representa uma mudança de panorama em relação ao início do ano, quando o cenário apontava para uma elevação de 0,5%.

Por que a atividade não reagiu como o esperado?

  • Excesso de oferta no mercado imobiliário
  • Contratações do programa MCMV ficaram aquém da meta
  • Os efeitos da Lava a Jato
  • Crise Fiscal: corte nos investimentos
  • Desemprego elevado e restrição de crédito
  • Melhora da confiança empresarial não se refletiu nas decisões de investir
  • Distrato

De acordo com Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos FGV/IBRE a crise fiscal foi um dos fatores impactantes para a queda no setor de janeiro a setembro deste ano. Na comparação com o mesmo período de 2016, os investimentos caíram 37% (em valores a soma de cerca de R$ 40,3 milhões foi reduzida para R$ 25,5 milhões). Nos Ministérios do Transportes e das Cidades, a queda alcançou 18% e 50%, respectivamente.

Emprego

Segundo os dados apresentados durante a coletiva, entre dezembro de 2014 e 2017 a construção perdeu cerca de 1,1 milhão de trabalhadores com carteira assinada e essa recuperação requer cautela e estabilidade.

Depois de três altas consecutivas, o nível de emprego na construção caiu 0,18% em outubro na comparação com setembro (-4.416 vagas). Em 12 meses o saldo negativo é de 192 mil postos de trabalho, deixando o estoque de trabalhadores no setor em 2,456 milhões.

Ao se desconsiderar os efeitos sazonais, o emprego registrou queda de 0,01% em outubro na comparação com o mês anterior (-250), chegando a 37 meses de baixas consecutivas. As vagas encerradas no 10º mês de 2017 praticamente são em igual número do que às criadas nos três meses anteriores. “Portanto, voltamos ao baixo patamar do emprego na construção registrado em junho deste ano, um contingente de trabalhadores formais no setor equivalente ao existente em 2009”, comenta Romeu Ferraz.

A perspectiva até o final do ano é de novas quedas. “Novembro e dezembro são meses, em que sazonalmente o nível de emprego na construção cai, em função do término de obras e da ausência de novos empreendimentos por iniciar no curto prazo”, reforça o presidente do SindusCon-SP, entidade que congrega e representa 400 construtoras associadas e 15 mil filiadas no estado. A construção paulista representa 26,5% da construção brasileira, que por sua vez equivale a 4,9% do PIB do país.

Segmentação

Em outubro, na comparação com setembro, registraram alta apenas os segmentos de engenharia e arquitetura (0,45%) e obras de instalação (0,07%). As principais baixas ocorreram na infraestrutura (-0,48%), imobiliário (-0,28) e preparação de terrenos (-0,27%).

Em 12 meses, todos os segmentos apresentam queda, sendo as maiores baixas em imobiliário (-10,45%), obras de acabamento (-8,86%) e preparação de terreno (-7,44%).

Regiões

Das cinco regiões do Brasil, apenas a Norte teve alta (0,16%). Os demais estados tiveram perda de emprego: Nordeste (-0,15%), Sudeste (0,08%), Sul (-0,45%) e Centro-Oeste (-0,57%).

No Sudeste, as quedas se concentraram em São Paulo (-0,39%) e Rio de Janeiro (-0,57%). Na outra ponta apresentando uma pequena alta estão os estados do Espírito Santo (0,44%) e Minas Gerais (0,95%).

Na região Norte, apenas o Pará registrou baixa (-0,94%). Os demais estados tiveram alta, com destaque para Roraima (3,82%), Tocantins (1,77%) e Acre (1,19%).

No Nordeste, houve crescimento nos postos de trabalho no Piauí (1,96%), Maranhão (0,83%) e Alagoas (0,66%). Na outra ponta, tiveram quedas os estados Rio Grande do Norte (-1,06%), Bahia (0,87%) e Paraíba (-0,21%).

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul registrou baixa de 2,66%, seguido de Goiás, com queda de 0,93%. Distrito Federal e Mato Grosso tiveram elevação de 0,30% e 0,49%, respectivamente.

Na região Sul os três estados registraram desemprego: Paraná (-0,39%), Rio Grande do Sul (-0,70%) e Santa Catarina (-0,24%).

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