22/11/2016
Você sabe o que é FIFO, LIFO, FEFO, PEPS, UEPS, sua relação e aplicação?*

Se você é da área de Logística ou Supply Chain, provavelmente já deve ter escutado estes termos mais provavelmente não sabe a relação entre eles e o que os diferencia, ou talvez conheça somente alguns dos termos, pois é o que é utilizado em sua empresa, ou simplesmente é da área ou não, mais já escutou tais termos nos corredores de sua empresa ou até mesmo em alguma reunião mais não soube do que se trata. Se você se identificou com um destes cenários, sem dúvidas este artigo será de grande avalia, pois doravante você jamais irá esquecer do que se trata, e quando alguém falar sobre o tema seguramente você estará bem mais familiarizado e falará com propriedade.

Introdução

1. Entendendo o que são tais siglas e para que elas servem.

Estes termos são relativamente simples de entender, e estão diretamente relacionados ao gerenciamento de estoque, seja ele de em um CD (Centro de Distribuição), Armazém ou até mesmo um almoxarifado que abrange atividades de planejamento de demanda, organização e controle.

Falando de controle, esta é uma atividade que fará com que um gestor de estoque faça um correto planejamento de demanda e o possibilite ter um ambiente organizado, desta forma, um dos controles necessários para uma boa gestão de estoque é justamente o controle das movimentações de entrada e saída dos produtos no estoque, que por sua vez dependendo do tipo de estoque que está se fazendo a gestão ou forma de apuração do valor investido no estoque, é possível aplicar uma das metodologias de controle de entrada e saída que pode ser FIFO, LIFO, FEFO, PEPS, UEPS

Pois bem, então já sabemos que FIFO, LIFO, FEFO, PEPS, UEPS, são “siglas” utilizadas para determinar a metodologia aplicada na empresa de controle de entrada e saída dos produtos do estoque e que sua escolha está relacionada ao tipo de produto a ser controlado ou ao tipo de apuração do valor investido no estoque.

 

 

 

2. Agora vamos entender o que quer dizer tais siglas, suas diferenças e relações.

As siglas FIFO, LIFO e FEFO são termos utilizados na área de Logística ou Supply Chain, e é a abreviação das palavras em inglês First in, first out (FIFO), Last-in, First-out (LIFO) e First expire, First out (FEFO) que determina o tipo de controle movimentação de estoque utilizado no Centro de Distribuição, Armazém ou Almoxarifado.

Já as siglas PEPS e UEPS são metodologias “contábeis” de avaliação do ativo circulante (dinheiro em estoque) a fim de apurar o total do lucro de uma empresa em um determinado período, e é a abreviação de “Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai (PEPS)“ e “Último a Entrar é o Primeiro a Sair (UEPS)”. Na contabilidade o método escolhido serve para simplificar a apuração do valor em estoque (ativo circulante), uma vez que em um determinado período o mesmo produto pode ter várias entradas e saídas do estoque de lotes, e preço de compra diferentes motivado por vários fatores que podem fazer variar o preço de aquisição entre uma compra e outra, como o custo do transporte, aumento da matéria prima, cotação do dólar para produtos importados, inflação e etc...

Neste caso, no método FIFO ou PEPS – First in, first out ou Primeiro que Entra é o Primeiro que saí, a primeira compra que entrou é a primeira que sai do estoque seguindo a ordem cronológica, que por sua vez torna o saldo do valor em estoque supervalorizado, pois o saldo final é sempre baseado no valor da composição dos últimos lotes comprados, que por sua vez tendem a ser mais caros do que os primeiros que já não constam em estoque conforme ilustrado abaixo:

Do ponto de vista contábil, a vantagem de usar este método é pelo fato de ser o único exigido pela Receita Federal, a desvantagem é que o estoque fica supervalorizado e, portanto o imposto a ser arrecadado pelo FISCO é maior. Ou seja, com base no exemplo, a composição do valor em estoque (ativo circulante) que seria base para apurar o imposto, seria de R$81,00, que corresponde ao valor total de produtos em estoque.

Já no método LIFO ou UEPS – Last-in, First-out ou Último que Entra é o Primeiro que saí, segue a ordem inversa do método FIFO/PEPS, pois a última compra que entrou é a primeira que sai do estoque, que por sua vez torna o saldo do valor em estoque subestimado, pois o saldo final é sempre baseado no valor da composição dos primeiros lotes comprados, e que desta forma tendem a ser mais baratos do que os últimos que acabaram de ser comprados e já saíram do estoque, conforme ilustrado abaixo.

Notem que o 1º lote que entrou, permanece no estoque, e o 7º e último lote que entrou com um valor mais caro, foi o primeiro a sair.

Do ponto de vista contábil, não há vantagem de usar este método, pois além de desvalorizar o ativo circulante (estoque) não é um método reconhecido pelo FISCO. Ou seja, com base no exemplo, a composição do valor em estoque (ativo circulante) que seria base para apurar o imposto, totalizaria um valor de R$73,00, que corresponde ao valor total de produtos em estoque.

Ainda nos resta falar do método FEFO - First expire, First out ou, Primeiro que Venceé o Primeiro que Sai, este método de movimentação não é reconhecido como meio de avaliação do ativo circulante, sendo pura e exclusivamente utilizado pela Logística ou Supply Chain como tipo de controle de movimentação de estoque, tal como os métodos de avaliação do ativo circulante na contabilidade não se restringe em PEPS e UEPS, existindo também o Custo Médio ou também conhecido como Média Ponderada ou Média Móvel, que trata basicamente da aplicação do custo médio em lugar do custo efetivo. O método de avaliação do estoque Custo Médio é aceito pelo Fisco e geralmente é o mais recomendado, pois tende a equilibrar o valor do estoque entre os valores de entrada e saída no período de apuração, porém o lado negativo é que este método serve apenas para fins de contabilização do ativo circulante para fins de apuração de lucro, pois o FISCO como falado anteriormente, para apuração do IR é permitido somente o método PEPS.

3. Definição.

Com a utilização do FEFO como método exclusivo de movimentação de estoque, e utilização do Custo Médio como método contábil exclusivo para apuração do ativo circulante, podemos dizer que apesar da similaridade entre FIFO ou PEPS e LIFO ou UEPS:

FIFO, LIFO e FEFO, são termos utilizados na área de Logística ou Supply Chain que determina o tipo de controle de movimentação de estoque utilizado no Centro de Distribuição, Armazém ou Almoxarifado, que não tem relação com os métodos de apuração contábil, uma vez que na Logística ou Supply Chain além de ser utilizado o método FEFO o qual não é reconhecido pela contabilidade, em um ambiente de estoque misto (multi-produto) é possível aplicar mais que uma metodologia de movimentação de estoque.

PEPS, UEPS e Custo Médio, são termos utilizado na contabilidade para determinar a metodologia de apuração de avaliação do ativo circulante (dinheiro em estoque) fim de apurar o total do lucro de uma empresa em um determinado período, e que diferente dos métodos de movimentação de mercadoria utilizados na Logística ou Supply Chain (FIFO, LIFO e FEFO) não é possível utilizar métodos conjugados para apurar o valor do estoque, além do único reconhecido para apuração de impostos mediante o FISCO, ser o PEPS.

Desta forma concluímos que FIFO, LIFO e FEFO são termos utilizado na Logística e Supply Chain para determinar o tipo de controle de movimentação de produto utilizado no estoque, e  PEPS, UEPS e Custo Médio, são “siglas ou nome” utilizados na Contabilidade para determinar a metodologia de apuração do valor do estoque.

 

 

Como e quando aplicar cada método

Bom, uma vez que sabemos o que é o que, agora vamos a sua aplicabilidade (lembrando que a escolha do método pode influenciar diretamente nos custos logísticos de forma positiva ou negativa), e para ficar mais fácil o entendimento, relaciono abaixo exemplo da aplicação que cada método de movimentação logística de estoque, sendo:

·          FIFO (First in, first out) – Método utilizado geralmente em estoques de giro mediano ou de produtos com shelf life (vida útil ou prazo de validade) longo como produtos congelados, não perecíveis, ou até mesmo itens sem vencimento.

·         LIFO (Last-in, First-out) – Método geralmente utilizado para produtos que não tem vencimento, aonde o produto em estoque estático ou com baixo ou alto giro é utilizado como margem de segurança ou para atender períodos de pico.

·         FEFO (First expire, First out) – Método utilizado para produtos de altíssimo giro com produtos com shelf life (vida útil ou prazo de validade) curto a exemplo de produtos perecíveis e resfriados.

Ou seja, o método a ser aplicado na Logística ou Supply Chain para movimentação de cargas, é determinado pelo tipo de produto a ser controlado.

 

 

Considerações Finais (Obrigatório)

Logística é a ciência que estuda a ordem do dinheiro dentro da cadeia de abastecimento (Supply Chain) a fim de garantir o melhor custo benefício operacional com qualidade, pontualidade, assertividade, acuracidade, controle e segurança. Com base nisso, boa parte do sucesso de uma gestão é a simplicidade aplicada a qual só é possível através da propriedade na condução de cada tema. Neste artigo, tive a preocupação de ser mais simples e didático possível cujo objetivo foi contribuir com os leitores em dirimir suas dúvidas sobre as diversas formas de movimentação de estoque tal como a relação e distinção em relação às metodologias contábeis de apuração do valor do estoque (ativo circulante).

Espero ter ajudado, obrigado e até a próxima!

Referências

http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/consulta.action

* Autor

Flavio Duarte (oflavioduarte@gmail.com): é formado em Administração de Empresas pela PUC e Gestão Comercial pela FGV, além de vários cursos em diversas áreas. Com mais de 14 anos de experiência em gestão Logística, Operações, Supply Chain e Gerenciamento de Risco voltado a sua área de atuação, passou pela indústria, varejo e serviços e em diversas multinacionais das quais conduziu vários projetos voltados ao segmento. Maiores detalhes de seu perfil em http://br.linkedin.com/in/flavioduarte

Fonte: O Autor
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